Que tipo de instrução os atletas mundiais recebem? Não sei se soa ignorante, mas minha ideia é, se eles tem anos de experiência com treinos, estudos, e desenvolvimento psicológico, existe uma ideia de que os atletas desse nível elite conseguem administrar o jogo excelentemente, tem um mental estável e resiliente, são bons em detectar padrões, tem dezenas de jogadas cantadas, reflexos num nível que maiorias das pessoas nunca vão chegar na vida. Tendo esse portifólio todo, qual tipo de coach eles recebem sem ter pensado nisso antes? Eu sou arbítrio e atleta, e eu comumente ouço os técnicos dizendo “joga no back dele” “força o drive dele” “encurta bola” “da drive com giro do fore dele” e dezenas de outras coisas… porém num jogo profissional um atleta mundial percebe esse tipo de observação quase que imediatamente, ou muito rápido, e então, se a análise tática dele já é excelente, o mental provavelmente é muito bom, que tipo de coach ele recebe?
As vezes quem está de fora enxerga as coisas de forma diferente de quem está jogando e por isso podem sugerir uma estratégia diferente do que o jogador estava pensando inicialmente ou praticamendo.
Por isso que é proibido uso de eletrônicos, pois poderiam ter uma avaliação ainda mais completa de uma junta de experts, isso no tênis de mesa e em muitos outros esportes.
Ah… deveriam ter um mental estável, mas nem sempre isso acontece, pois obviamente são seres humanos,
Depende muito do atleta, técnico e da situação do jogo. Já vi videos onde a instrução era tática, mas tbm já vi técnicos dando mais apoio moral, tentando acalmar ou tranquilizar o atleta.
Pois é, a resposta, mais uma vez, (adivinha!) é “depende”. Os melhores técnicos são os que conseguem melhor entender o momento para cada “depende”. Se fosse fácil, haveria uma resposta única, e acreditar nisso é o maior defeito que um coach pode ter.
É um erro achar que um atleta, por melhor ou pior que seja, necessariamente tenha (ou não) leitura e mental para ser absolutamente autônomo (daí geralmente preferirem ter alguém). Tem atletas realmente bons que não conseguem gerir todo o necessário sozinhos, e que fique claro: isso não é nenhum pecado mortal ou absoluto demérito, porque definitivamente não é fácil, e não é por acaso que lhe é permitido ter alguém no corner. Por outro lado, a criticidade do momento do corner às vezes leva atletas a escolherem estar sozinhos. E veja bem, muitas vezes isso nem tem a ver com o técnico (no sentido de não ser qualificado), mas às vezes apenas o tipo de abordagem / enfoque que não se alinha com o que o atleta consegue tirar de melhor. Ou seja: o momento do corner também pode atrapalhar, e não vale a pena correr o risco, se houver.
De qualquer forma, tendo isso em vista, obviamente que técnicos também possuem estilo predominante. Eu tive oportunidade de conhecer e conversar sobre com vários e saber do estilo de outros por atletas, e uma coisa meio natural é que (isso sim precisa ser óbvio, sobretudo em nível mais alto) é necessário desapegar da técnica no momento do corner. Não é um minuto que vai consertar o que você não consertou em inúmeras horas treinando. No mais, tática definitivamente não é bobagem, e quando se está buscando soluções, muitas vezes a coisa fica nesse patamar mesmo. Porém, sim que existem técnicos muito enfocados em motivação e estado de ânimo do atleta. Alguns atletas (inclusive alguns bem relevantes) até preferem ter técnicos que se limitam a isso.
Enfim, é uma interação inexata entre: o que o atleta “precisa” (aqui há questões bastante controversas, mas não vem ao caso), o que o coach tem para oferecer, a leitura que se faz do momento, e as falhas que ambos cometem por serem humanos.